No São Paulo Innovation Week, o debate sobre soft power brasileiro revelou algo que cases como CBF, Natura, Havaianas e Seara já provam: a brasilidade tem profundidade estratégica que o mundo está pronto para receber.
Quando o Brasil entra na sala
Em maio de 2026, o São Paulo Innovation Week, um dos maiores eventos de tecnologia e inovação do ano no Brasil, reuniu pensadores, executivos, pesquisadores e líderes de marcas relevantes para debater o futuro dos negócios. Num dos painéis mais instigantes do evento, a conversa saiu do território da inovação tecnológica e foi para um lugar menos óbvio e muito mais urgente: o soft power brasileiro e o papel das marcas na construção da presença do Brasil no exterior.
Danilo Cid, Sócio e VP de Criação da anacouto, e Daniela Zucchini, Diretora de Marketing e Trade Marketing da Seara, foram os keynotes que lideraram o tema “O marketing de produtos e serviços como fomento da presença do Brasil no exterior”. O painel foi uma iniciativa da Brasil para o Mundo (BPOM), organização dedicada ao fortalecimento do poder suave do Brasil, mediado por Victor Drummond.
E o que ficou daquela conversa vale ser levado adiante. Neste artigo, reunimos os principais insights do painel com cases de branding, como CBF, Natura e Havaianas, para mostrar como o Brasil já tem marcas que cruzaram fronteiras com autenticidade e estratégia, e o que outras organizações podem aprender com esse caminho.

Território não se inventa. Você faz emergir.
Quando se pensa em internacionalização de marcas brasileiras, alguns territórios vêm à mente com naturalidade: Carnaval, futebol, praias. São pontos de entrada legítimos, com valor cultural real e reconhecimento global. O que as marcas mais relevantes descobriram é que esses territórios têm camadas. E é nas camadas mais profundas que o valor estratégico emerge.
O futebol brasileiro é um exemplo preciso. Como Danilo Cid comentou no painel: “O Brasil não é apenas futebol. É futebol de um jeito que só o Brasil faz. Existe uma arte, um talento, uma virtuosidade, uma subversão criativa que atravessa esse esporte e vai muito além dele.” Quando uma organização se aprofunda nesses territórios em vez de ficar na superfície, encontra uma potência que nenhum estereótipo consegue capturar, e que nenhum concorrente consegue imitar.
Essa potência tem duas origens que se alimentam. O Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta em fauna, flora e ecossistemas. Mas também é um dos povos mais diversos do mundo em formação humana, em misturas culturais, em referências que se cruzam e geram algo genuinamente novo. Dessa dupla biodiversidade nasce uma criatividade que é, ela mesma, um ativo de marca. “Território de marca não se inventa. Você faz emergir”, reforça Danilo Cid. E o Brasil tem muito ainda a emergir.

Da mesa brasileira para o mundo: a estratégia da Seara
No painel, Daniela Zucchini, da Seara, trouxe uma perspectiva concreta sobre o que significa levar o alimento brasileiro para fora do país com estratégia de marca e inteligência de mercado.
A Seara é uma das maiores exportadoras de proteína animal do Brasil e o trabalho de internacionalização vai muito além de abrir novos mercados. Daniela trouxe ao debate o cuidado com a atuação local: na Ásia, por exemplo, cada país tem exigências culturais, religiosas e regulatórias completamente distintas. Não existe uma abordagem única. Existe escuta, adaptação e respeito às especificidades de cada território, sem abrir mão da personalidade da marca. Essa inteligência é construída com rigor: a Seara reúne suas lideranças globais em conferências anuais justamente para garantir que a visão de negócio e a sensibilidade local caminhem juntas.
Esse equilíbrio entre consistência global e sensibilidade local é um dos desafios centrais da internacionalização de marcas brasileiras. E a Seara mostra que é possível navegar nele com método: construindo inteligência sobre o consumidor local e tomando decisões que respeitam tanto o DNA da marca quanto as particularidades de cada cultura.

Branding não é só identidade visual. É o que move o ponteiro do negócio.
Uma das crenças mais custosas para marcas que buscam internacionalização é tratar branding como questão estética. Logo, cores, tipografia. Branding é o alinhamento entre estratégia de marca, estratégia de negócio e estratégia de comunicação. É essa integração que move o ponteiro. E é exatamente ela que determina se uma marca consegue atravessar fronteiras com autenticidade ou apenas exportar um produto sem construir valor.
“O branding não é restrito à estratégia de marca. Ele é o alinhamento entre a estratégia de marca, a estratégia de negócio e a estratégia de comunicação. É isso que mexe o ponteiro do negócio.”. Danilo Cid, Sócio e VP de Criação da anacouto
Com a CBF: quando a brasilidade se torna estratégia de negócio
Em 2019, quando a agência anacouto foi convidada para o rebranding da CBF, o desafio não era estético. Era de negócio e de reputação: uma marca desgastada, com percepção negativa, desconectada de uma geração inteira e sem propósito claro para orientar suas decisões. O trabalho começou por um diagnóstico profundo, com pesquisa junto a torcedores, entrevistas com patrocinadores, federações e clubes, e a definição de um propósito que fosse capaz de reposicionar a CBF como fomentadora real do futebol brasileiro. A ideia central: sair da “paixão” pelo futebol para o “amor”, aquele que cuida, quer ver bem e está disposto a construir uma relação sólida com o esporte e com a sociedade.
Com isso como base, a anacouto construiu um universo de marca completo, visual e verbal, ancorado na brasilidade com profundidade histórica. Os grafismos inspirados em Athos Bulcão, as tipografias desenvolvidas por brasileiros, a tagline “joga bola”, que sintetiza com precisão o que o futebol brasileiro representa para o mundo. A Copa do Mundo de 2026 começa em menos de um mês, e o escudo que vai representar o Brasil no maior palco do futebol mundial carrega uma brasilidade que não foi improvisada. Foi construída com estratégia, dados e intenção.

Conheça o case: anacouto e CBF: o rebranding da Seleção Brasileira
Havaianas, Natura e o que o Brasil pode ensinar ao mundo
Duas marcas brasileiras mostram caminhos diferentes e igualmente poderosos de como a presença de marcas brasileiras no exterior pode ser construída com profundidade.
No painel, Danilo Cid contou como a Havaianas tangibiliza algo que o Brasil tem de único num mundo cada vez mais tensionado: a capacidade de distensionar relações. Uma sandália que virou símbolo global de um jeito de estar no mundo, descontraído, colorido, autêntico. Isso é soft power. Não é marketing. É o Brasil sendo o Brasil com tanta clareza que o mundo reconhece e adota. A anacouto participou da construção dessa narrativa para o mercado global, ajudando a marca a articular a ginga brasileira numa fashion vision global, sem perder o que a tornava inimitável.

Conheça o case: Havaianas: Global Visual Brand Identity
A Natura é uma das marcas brasileiras que mais soube transformar origem em autoridade global. Sua presença em outros países não começa na campanha: começa na Amazônia, no ecossistema que a marca ajuda a preservar e nas comunidades com quem constrói valor há décadas. Em 2026, a anacouto aprofundou esse trabalho no brandbook da Natura, desenvolvendo um universo de expressão completo, visual, verbal e sonoro, inspirado nos biomas brasileiros, nas belezas plurais do país e numa linguagem que traduz, em português e em espanhol, o que só o Brasil tem para dar ao mundo.

Conheça o case: Natura: confira o novo brandbook
Esses cases revelam que o Brasil tem produtos extraordinários, e que branding e comunicação são o meio que leva essa riqueza ao mundo com a potência e o impacto que ela merece. Havaianas e Natura não conquistaram o mundo apesar de serem brasileiras. Conquistaram por causa disso.
É, Faz e Fala: o que separa marcas brasileiras que conquistam o mundo das que apenas exportam
O Brasil carrega algo que o mundo cada vez mais procura e cada vez menos encontra: autenticidade com profundidade. Diversidade de natureza e de povo, criatividade que nasce da mistura, calor que distensiona relações, um vínculo afetivo com a natureza e com as pessoas que poucos países têm igual. Quando esses ativos são gerenciados com consistência e diferenciação, eles não apenas diferenciam produtos. Eles geram valor para pessoas, para organizações e para a sociedade que recebe essa presença.
É com essa visão que a anacouto trabalha: alinhar o que a organização É, sua personalidade e DNA, o que ela FAZ, sua proposta de valor, e o que ela FALA, sua comunicação com o mundo. Quando essas três dimensões estão integradas, o modelo de negócio ganha potencial de mercado global sem perder a capacidade de adaptação local. O propósito permanece. A presença se expande.
Cases como CBF, Havaianas e Natura mostram que, quando a organização une estratégia de branding à estratégia corporativa, o que o Brasil exporta deixa de ser produto e passa a ser significado. O mundo está mais receptivo a esse tipo de presença do que imaginamos. E o momento para construir essa narrativa é agora.
“A gente tem que aproveitar nossa relevância cultural pra construir as nossas narrativas e ocupar nossos espaços no mundo.”. Danilo Cid, Sócio e VP de Criação da anacouto
Sua marca sabe qual narrativa quer construir no mundo?
A conversa que começou no São Paulo Innovation Week precisa continuar dentro das organizações e junto às lideranças que vão decidir quais marcas brasileiras o mundo vai conhecer nos próximos anos.
A anacouto trabalha com organizações líderes de mercado que entendem branding como alavanca de crescimento, de expansão internacional e de consolidação de valor. Se você está à frente de uma dessas decisões, a conversa começa aqui.