A INTERNET DAS COISAS E A INTERNET DAS MARCAS.
Escutei várias vezes no segundo dia do SxSW a expressão “internet of things”. Começa a ficar um pouco mais claro o caminho que a tecnologia irá percorrer a partir de agora, desempenhando um papel mais inteligente e conectado ao contexto humano e ao que está a nossa volta.
Para alguém que usa um aplicativo de geolocalização, ou até mesmo o Waze, por exemplo, se o usuário deseja ensinar ao aplicativo onde é a sua casa, é preciso fornecer o endereço. Mas concordemos: seu celular poderia sugerir o endereço e apenas confirmar se está correto – afinal, ele sabe que, na maioria dos dias, você está sempre no mesmo local às 3h da manhã e que por lá permanece por algumas horas (se é o lugar onde você dorme, provavelmente é a sua casa).
E isso vale pra tudo. Assistiremos, numa velocidade galopante, a todos os objetos que nos cercam ficarem mais inteligentes. Do carro à geladeira, ao abajur de cabeceira. Todos mais espertos. Mais adaptáveis. E as Marcas? E os gestores de Marcas? E as equipes de Marketing? O que isso tudo muda na forma como o jogo é jogado?
A partir do momento em que até um abajur de cabeceira for inteligente, o que as pessoas vão esperar de um banco? E de uma seguradora ou de um provedor de internet, da telefonia móvel, de empresas de energia elétrica, água, supermercado, farmácia, carro? E de todas as Marcas com as quais elas interagem e constroem relações diariamente?
A largada já foi dada e quem sai na frente leva vantagem. E não tem mais volta. Ou as Marcas abraçam o processo de mudança ou elas estarão fora. E acredite: esse processo pode ser mais rápido do que imaginamos.
Como exemplo podemos citar a Blockbuster que, em dois anos, caiu do posto de maior retailer dos EUA em pontos de venda para uma empresa em processo de falência. Tudo por causa de uma startup chamada Netflix.
O crescimento das Marcas passam por três caminhos igualmente desafiadores: (1) time (cultura, novas habilidades e mentalidade); (2) processo de trabalho (novas ferramentas, metodologias e crenças sobre como fazer as coisas em um novo contexto); e (3) movimento (manter o carro andando, as vendas acontecendo e tudo girando enquanto se troca os pneus).
As Marcas precisam pensar além do produto ou serviço que elas vendem hoje e conseguir articular internamente com clareza o valor que entregam para as pessoas. O produto atual é apenas um meio para entregá-lo. Valor é perene. Um produto ou serviço morre um dia após do nascimento de uma tecnologia que o torna obsoleto. Valor, não.